Joias

#B35 nov 2020

Alta joalheria

Por Liege Fuentes

Com design autoral e peças exclusivas, a Bergerson traduz conceitos da escola de alta joalheria, em peças únicas, há mais de 50 anos

A natureza tem seus segredos quando transforma um mesmo elemento em materiais completamente diferentes. Grafite e diamante são exemplos do resultado desse mistério operado pelas condições de temperatura e pressão às quais o carbono é submetido há milhões de anos. O elemento original de ambos os produtos é um só: o carbono. Porém, os resultados de uso, percepção e valor são reconhecidamente diversos. 

No mundo da alta joalheria, tanto a transformação como a diversidade dos produtos cabem à perfeição para demonstrar o quanto há de complexidade, mistério e beleza na natureza da produção de joias autorais, e como elas diferem em percepção e valor de itens destinados a linhas mais comerciais, de escala industrial.

Todo o processo de produção de uma peça autoral exclusiva envolve estágios que vão da subjetiva e impalpável criatividade – intrínseca à natureza humana – até a realidade da execução técnica, que a submete inclusive a alta pressão e temperatura no ambiente da manufatura.

A complexidade de todo o processo começa antes da criação, na etapa de pesquisa de temas, com análise e estudo de tendências, que recorrem a fontes quase infinitas de consulta, como a leitura de um texto, filmes e exposições de arte, além de elementos associados ao universo da moda propriamente ditos e a comportamentos de consumo. 

Enquanto na produção do diamante e da grafite é a natureza a responsável por orquestrar essas transformações, no coração da joalheria são profissionais como designers, modelistas/ourives, de fina sensibilidade, que conduzem a ideia original ou gema única ao indescritível produto final – a joia autoral, aquela capaz de provocar o mistério de um olhar que brilha paralisado pelo desejo diante de uma vitrine.

“As joias autorais são sempre de produção limitada, numeradas e de peças únicas feitas à mão”.

O PERCURSO DA CRIAÇÃO 

Na Bergerson, joias autorais são itens planejados com apurada e estratégica regularidade e resultam em diferentes apresentações, sempre inéditas, ao longo do ano. “Começamos a trabalhar na criação de peças exclusivas seis ou sete meses antes de cada lançamento”, explica Ricardo Sousa, design manager à frente das criações da joalheria há 10 anos.

O processo criativo é a gênese de tudo e nasce coletivamente em reuniões de brainstorm com toda a equipe a fim de chegar ao tema/conceito que norteará uma coleção ou peça original. Envolve o desenvolvimento de linhas de todo o portfólio da marca, inclusive as coleções limitadas e exclusivas. “O que diferencia é a escolha dos materiais que vamos utilizar nas peças autorais únicas”, detalha Ricardo. 

O início pode se dar, por exemplo, a partir de gema única, exclusiva, que foi integrada ao acervo da Bergerson. Ou de uma ideia original com elementos identificadores, que caracterizam a marca, associados às datas de lançamento, como Natal e Dia das Mães. “A marca tem signos que a diferenciam no universo da alta-joalheria e são reconhecidos pelos clientes. O diamante é o principal deles. Quase todas as nossas criações exclusivas trazem uma conexão com o diamante, mesmo que ele não seja o protagonista da joia”, revela Ricardo. 

Também são signos característicos, o uso imperioso de materiais naturais e nobres e a atemporalidade, para que as joias possam dialogar com diferentes gerações e se perpetuar através delas.

DOSSIÊ 

O tema começa a se materializar na construção de um “dossiê” contendo argumentos, referências utilizadas, esboços da ficha técnica, materiais e suas especificidades, custos e faixa de valores para seguirem à aprovação e à validação interna. Então, parte-se para duas etapas: 

1 o desenho artístico da joia ou coleção pretendida, feito pelos designers utilizando diferentes técnicas de ilustração; 

2 a produção da ficha técnica completa, com todas as coordenadas e descritivos das peças que constam na proposta, incluindo medidas, cuidados com ergonomia, detalhes das pedras, quantidade, tamanho, cor, tipo de lapidação, de acabamento, metais utilizados, entre outros. 

“Em itens que possuem gema de cor, por exemplo, priorizamos a aquarela como representação da peça, para que a ilustração fique o mais fiel possível. Mas também utilizamos técnicas em plataformas 3D, depois do desenho, que demonstram as dimensões da peça”, explica Ricardo.

PERSONIFICAÇÃO 

A produção da peça em si não é imediata. Designers e modelistas/ ourives começam a trabalhar juntos para que se ‘traduza’ o que foi projetado. É feito um protótipo para se captar o mais exato resultado possível, que é confeccionado artesanalmente em algum material provisório, em geral prata. A ergonomia da peça no corpo, seja brinco, anel ou colar, é primorosamente ajustada antes da produção e finalização da joia definitiva. 

Na fase final, sim, utiliza-se o material nobre que foi definido, incluindo as etapas de lapidação, incrustação de pedra, polimento ou acabamento planejado. Considerando todas sempre como produção limitada, numerada e de peças únicas feitas à mão.

“Nossos clientes de peças exclusivas são tanto jovens como mulheres mais experientes, que apreciam a expressão Bergerson da escola de alta-joalheria. O que as fazem decidir por nossos produtos é a forma como traduzimos esta escola. Conseguimos atingir esse público com uma equipe que sabe ser flexível na interpretação e aplicação das tendências associadas às características e aos conceitos da marca”, revela o designer. 

Esse público inclui também aqueles que buscam peças feitas por encomenda. Neste caso, a produção une equipe e cliente na tradução do seu desejo em design, criação e resultado final.

Da idealização ao objeto de desejo

A produção das coleções ou peças exclusivas da marca requer um roteiro bem definido, entre a ideia original e a materialização no produto final. São as seguintes as etapas, iniciadas até sete meses antes do seu lançamento nas lojas: 

  • Pesquisa de tendências: busca livre de informações e elementos diversos no universo da moda, meios artísticos e comportamentos de consumo; 
  • Definição do conceito central da coleção em brainstorm com a equipe de criadores, traduzindo os elementos pesquisados num tema único; 
  • Briefing contendo a defesa da proposta para aprovação final, considerando materiais, custos e faixa de valores;
  • Produção do design das peças em desenhos artísticos pelos designers; 
  • Ficha técnica com todas as coordenadas e descritivos das peças constantes na proposta aprovada, incluindo medidas, detalhes das pedras, quantidade, tamanho, cor, tipo de lapidação, de acabamento, metais utilizados (ouro, prata), entre outros; 
  • Produção manual de peça-protótipo pelo modelista/ ourives, em geral feita em prata para afinação de detalhes, antes da cravação das pedras 
  • Confecção manual da peça final, com todos os acabamentos, cravação e detalhes; 
  • Produção de materiais de divulgação, catálogo e lançamento das joias, propriamente, nas lojas. 

“Todo o processo de produção de uma peça autoral exclusiva envolve etapas que vão da subjetiva e impalpável criatividade até a realidade da execução técnica”.

Bergerson

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